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Friday, 19 July 2013

as regras da casa

19 july 2013


Quando recebe visitas em sua casa por uma temporada, curta ou longa, você passa regras ou instruções? Não há necessidade?

No comecinho de julho teve início o programa ‘pre-sessional’ na universidade. O programa traz um contingente enorme de gente nova para a universidade, tanto profissionais / professores como alunos. Esse ano me parece que são em torno de 1.400 alunos.

Eu trabalhei no pre-sessional nos anos 2009, 2010 e 2011. No primeiro ano dei aula de academic writing [escrita acadêmica] e nos dois seguintes fui independent learning tutor, que é uma função de apoio acadêmico, parte em aulas e parte em atendimento individual dos alunos. Os verões dos anos seguintes eu tenho dedicado ao PhD. O pre-sessional acontece no verão e tem o propósito de preparar os alunos que vem estudar na universidade mas não apresentaram o mínimo de 6.5 na nota do IELTS, o teste de proficiência em inglês que as universidades britânicas requerem para acesso de estrangeiros que não falam inglês como primeira língua. Ao final do curso o aluno precisa atingir esse mínimo de 6.5 para passar e ir fazer o curso que deseja no departamento onde se inscreveu. A avaliação final é feita por um trabalho escrito [essay] e por uma apresentação desse projeto. É um programa super super bacana e muito intenso. Nele o aluno trabalha exaustivamente as habilidades linguísticas de falar, escutar, ler e escrever.  

E então que umas duas semanas antes do curso começar cópias desse cartaz foram colocadas no banheiro, em todas as portas do toilete. Achei interessante e uma pessoa me confirmou que deve ser mesmo para talvez falar de algumas diferenças culturais e ajudar os novos moradores a aderirem a novas regras ou modos na vida privada.

E pensando nisso comecei a imaginar se eu falo das regras de nossa casa quando chega uma visita, por algumas horas ou por alguns dias. Não, não falo. Falo apenas de alguma advertência por questão de segurança, se for necessário.

Interessante que isso me fez lembrar de um episódio que se passou comigo em Saint Petersburg, na Florida, em 1998, quando eu morava lá, dividindo um apartamento com meu querido amigo Neno [Hilton Junior]. Estávamos esperando a vinda do furacão George, que ia fazer um estrago para arrasar mesmo com as cidades por onde lançasse sua fúria. Foram dias de medo. Minha amiga Verônica, que à época morava no Wisconsin, me telefonou e me ofereceu passagem para ir para a casa dela, mas era tarde demais e os aeroportos estavam fechados. Fiquei ali mesmo e fizemos, como toda a cidade o fez, um plano para passar os dias em segurança e com comida e água, no nosso apartamento, que ficava numa regiao branca. Isso significava que íamos sofrer com o furacão mas podíamos ficar em casa porque aquela não era zona de evacuação. 

Cozinha abastecida com comida e água, chegaram os hóspedes para a temporada difícil no nosso abrigo pessoal: meu amigo Antonio, do Rio de Janeiro, uma amiga venezuela e mais um rapaz mexicano, amigo da nossa amiga. Pois não é que ele estacionou no carpete da sala e ali ficou pedindo chocolate e assistindo novelas mexicanas sem uma trégua no controle remoto para ninguém. Naquela época eu assistia a muuuuitos vídeos de música no canal MTV e em outros canais, e assistia com frequência, como ainda assisto, filmes, documentários e noticiários na tv. Deu vontade de pedir pra ele ir bem ali na esquina ver se o furacão ja estava vindo. O apartamento era um quadrado que tinha dois quartos, um banheiro, uma sala e uma cozinha. O pobre hóspede não tinha mesmo muitas opções de espaço, mas sequestrar o controle remoto não foi engraçado. Não falamos nada pra ele, o furacão desviou de rota e nosso carpete e nosso apartamento eram todos nossos de novo.

Uma amiga da Inglaterra agora recebeu uma hóspede e disse inclusive que a garota não pode usar o fogão e nem entrar no apartamento usando sapatos, que devem ser deixados num pequeno móvel ao lado da porta de entrada. Essa segunda regra aí é bastante comum e já vi acontecer várias vezes, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos. A pessoa tem um apartamento com piso de carpete e certamente uma forma de manter o carpete limpo e evitar pisar nele com sapatos sujos da rua.

E você, fala sobre as regras de sua casa para as visitas? Você fala de limites no que a pessoa deve fazer?

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E tal e coisa

Querido leitor, sobre o que mais você gostaria de ler no blog? Amanhã retorno à Inglaterra e vou falar mais sobre os brasileiros que ali moram. Há alguma coisa que você gostaria de perguntar a alguém que mora lá [de vez ou por um periodo como estudante]? Por favor, escreva suas sugestões e pedidos nos comentários e vou tentar lhe responder no quanto eu conseguir.

Comi queijo coalho assado delicioso, baião de dois, peru, tomei sorvete de coco e de tapioca, vi meu povo, família e alguns amigos, vivi momentos dolorosos e outros bonitos, e renovei minha alma.

Mesmo às vezes sendo muito dura, a vida é boa. Tchau, Teresina meu amor. Vou escrever de novo de Southampton. 

Friday, 15 June 2012

multicultural

15 june 2012


nota: esse post eh o primeiro do blog 'multicultural', que vai ao ar no portalaz, de Teresina, piaui, Brasil. 

Querido leitor,

Brazil: sou natural de Campo Maior, servidora do Tribunal de Justiça, professora do CEUT, e estou atualmente na Inglaterra, fazendo um doutorado em Linguística Aplicada, na University of Southampton www.soton.ac.uk .  
                                       
Minha experiência no exterior
Estados Unidos: morei e estudei inglês na Flórida, nos anos de 1997 e 1998, com visto de turista, num momento bem diferente de hoje. Fui com o objetivo de conhecer mais sobre a cultura e sobre a língua inglesa, que, àquele tempo, ja ensinava no Brasil. Estudei inglês na escola pública Tomlinson Adult Learning Center http://www.tomlinson.pinellas.k12.fl.us/  Tinha carro, carteira de motorista e trabalhei como babá, auxiliar de garçom num restaurante japonês, e fiz faxinas num hotel.

Depois, em 2000, fui para o Tennessee, onde fiz mestrado em Inglês na ETSU [East Tennessee State University] www.etsu.edu , que era uma universidade relavitamente pequena, com mais ou menos 12.000 alunos à época. Éramos em torno de 200 estudantes internacionais; durante meu tempo lá nunca fomos mais que cinco brasileiros. No meu departamento [Inglês] eu era a única estrangeira no programa, a ‘estranha no ninho’, naquele ambiente quase monocultural, apesar de ser de literaturas de língua inglesa e ter alunos de várias partes dos Estados Unidos e das muitas culturas e mundos que a literatura nos presenteia. Escrevi minha tese de mestrado sobre literatura afro-americana, analisando o livro “Their eyes were watching God”, da escritora Zora Neale Hurston.

Reino Unido: aqui no Reino Unido, onde estou desde setembro 2008, e na Europa que tenho visitado, a palavra que sintetiza a vida é multicultural. A multicultura está presente em todos os ambientes que frequento na universidade, onde faço minha pesquisa de PhD e onde trabalho, e tambem nas interações sociais, e na vida diária, nos shopping centers, na fila do cinema. A riqueza étnica e cultural é muito interessante. E aqui estou eu, mais acostumada a frutas azedas [tambem] e a comidas bem apimentadas, asiáticas, mediterrâneas, e do mundo todo. E adoro ‘fish and chips’ [peixe empanado e frito com batata frita], o prato inglês mais emblemático da cultura local.

Eu e o blog: meu objetivo com o blog Multicultural é falar sobre minha experiência no encontro com outras culturas, em vários ambientes: de trabalho, de estudo, de relações sociais, originadas desse contato na universidade, aqui e nas lembranças que me ocorrem das experiências anteriores.
Entao, devo escrever uma vez por semana, às sextas-feiras, sobre: 
- a vida e a experiência de uma estrangeira fazendo uma pós graduação no exterior, vivendo / interagindo e escrevendo em inglês na maior parte do tempo; 
- viagens, de férias ou para participar de conferências, todos eventos multiculturais em sua essência.
- universidade, feriados, curiosidades, acesso à universidade: provas de proficiência de língua [IELTS, TOEFL], detalhes do processo de acesso a cursos de pós nas universidades americanas e britânicas. Nesse aspecto meu foco principal deve ser o Reino Unido.
- a pressão do doutorado e casos específicos do que vivemos aqui, eu e meus colegas, nessa batalha gigante no processo da pesquisa. 

Os posts das sextas-feiras deverão ser sempre escritos em português; podendo, no entanto, trazer um texto em inglês e algumas dicas de leitura, por exemplo. Havendo folga no meu trabalho de pesquisa planejo tambem escrever eventualmente na terça-feira. Quando acontecerem, esses posts tem mais liberdade para serem em português ou em inglês.

Caro leitor, o que tenho em mente é um blog simples e com assuntos de fácil identificação para qualquer pessoa passando por situação similar, pensando em planejar uma empreitada
como essa, ou que simplesmente tenha interesse nos assuntos.

Abraços,
Kalina