Pages

Showing posts with label estudantes brasileiros no exterior. Show all posts
Showing posts with label estudantes brasileiros no exterior. Show all posts

Thursday, 20 June 2013

PhD na primavera

20 june 2013


Todo ano, garantido, eu tenho a febre do feno, ou alergia a florescência na primavera [hay fever]. Só que esse ano, apesar de estar bem doente tô me sentindo mais forte e vindo trabalhar.

O problema dessa hay fever é que a cada manhã a gente da uma piorada bacana, se sair de casa, se entrar em contato com o exterior, o vento, o pollen que a primavera traz nas flores. Com isso em mente decidi ficar em casa segunda-feira dessa semana, para ver se melhorava. Não melhorei nada porque na verdade a alergia estava ainda desfazendo malas para passar essa temporada comigo.

E, ficando em casa, minha produção acadêmica foi próxima de zero. Até cuidei de outras coisas, pessoais, mas para cuidar mesmo da tese eu preciso de uma rotina e de um espaço que me incentivem, me convidem a trabalhar. Na segunda-feira em casa fiquei um tempão sentada no sofá com o controle remoto da tv na mão e com o texto do meu capítulo no braço do sofá. Parece cena de filme de suspense: será que daquele maço de papéis vai sair um monstro para me pegar? Meu Deus, eu olhava e nem abria, fugia do que deveria estar fazendo. Ah, assisti tv.

Então é assim: fora do ambiente, ao invés de produzir, eu fujo do trabalho.

Ontem o dia aqui no escritório foi dificil. Espirrei tanto o dia inteiro que fiquei com vergonha das outras três pessoas que estavam aqui comigo. Por sorte ninguém que senta perto de mim veio ontem, senão eu teria, voluntariamente, ido embora. Não dá mesmo para ficar muito tempo perto de alguém espirrando sem parar, com dores no corpo, nariz congestionado, e com pigarro, meus sintomas dessa hay fever. A Hanadi [árabe] veio me oferecer remédio. Eu agradeci mas já estava mesmo indo para a farmácia, onde fui instruída a comprar um remédio apenas, específico para a febre do feno, e mais a recomendação de tomar muita água e chás e tal. Tomei ontem o compromido do dia e já dormi melhor, sem tossir.

Então, aqui no escritório tudo me lembra e me inspira e me convida a trabalhar na minha tese. Não tenho dúvida que três pontos, ou condições, têm sido fundamentais para eu trabalhar na minha pesquisa:

- espaço apropriado, com o que preciso: computador, os papéis, os livros, as canetas, os pen drives, a caneca para o chá ou café. Praticamente todo dia almoço aqui mesmo, sanduiche que trouxe de casa e ou desço para comer no restaurante. Esse espaço não é alterado, não preciso desfazer ou fastar os livros para comer ou para qualquer outra atividade, é espaco definitivamente dedicado a mim para o dia inteiro, e isso é muito importante;

- silêncio e condição de desligamento e concentração, contínuos, pelo dia todo. Até mesmo ver os colegas lendo, digitando, indo pegar um chá, entando e saindo, vindo até meu bureau conversar um pouco, ou uma conversinha rápida daqui mesmo, tudo isso faz parte, não atrapalha, e relaxa ou descansa, enriquece e mantem minha mente esperta. Preciso do silêncio, mas adoro saber que tem mais gente aqui nesse escritório imenso. Só venho aos sábados se tiver certeza de que vou encontrar com alguém aqui. A gente combina isso, e combina o pub para depois também. Há assim colaboração e respeito, silêncio e barulho, acordados e suportáveis;

- rotina, de se preparar, desde casa, vir para a universidade, sentar, e levantar de vez em quando para um chá ou café, mesmo com um amigo ali fora do escritório, mas ter a rotina de dedicar um número de horas à atividade acadêmica. Regra geral eu passo quase 12 horas por dia aqui, e não tenho ido de forma alguma à cidade no meio da semana, o que eu fazia antes. Consigo às vezes ter, sei là, 4, ou 5 ou 6 ou 7 horas bem produtivas, mas teria quase nada se não estivesse aqui. Os momentos aparentemente ‘nada’ são igualmente importantes como parte do processo. Passo tempo também lendo e pensando, entendendo ou procurando entender algum ponto nesse processo de conhecimento que é o mais sofisticado que eu enfrentei. A rotina é fundamental, porque ela prepara minha cabeca, que pede e oferece os movimentos.

Esses três pontos juntos formam os pilares de minha organização e produtividade. E você, como planeja seus estudos?

Thursday, 28 March 2013

ABEP e Conferência na Universidade de Oxford

28 mar 2013



A ABEP é uma associação de estudantes brasileiros no exterior. Na gestão anterior eu era membro da diretoria. Nessa época organizamos uma conferência que aconteceu na Universidade de Oxford, em novembro de 2010. Foi uma conferência de um dia, como acontece em muitas universidades, para a gente compartilhar pesquisa em andamento [em qualquer estágio acho que dá para apresentar], trocar idéias, conhecer gente, e muito mais. Na inscrição incluímos um abstract do que queremos compartilhar. Essa apresentação deve ter um foco, claro, que pode variar: a metodologia que escolhemos para usar na pesquisa, alguma análise de dados, ou até mesmo uma apresentação geral da pesquisa. Consider essa experiência muito enriquecedora.

Nos preparativos a gente se falou [e riu] um sem fim de vezes ao telefone e por email, combinando quem seria os convidados para palestras, decidimos sobre os certificados, e mais coisas que aconteceram no meio do caminho desse planejamento. Falei mais vezes ao telephone com o Luma, que foi eleito president da ABEP na conferência, e com mais outras pessoas por email. É sempre melhor decidir conjuntamente, a partir de um consenso, que sozinha. Felipe, um menino brasileiro que faz doutorado em Oxford, foi o anfitrião da conferência, que aconteceu num dos departamentos da universidade.

Tudo organizado, planejei a viagem para lá com a Karla, uma brasileira que fazia mestrado em linguística aplicada em Southampton. Tomamos o trem para Oxford bem cedo de uma manhã gelada. Chegando lá pegamos um taxi para a universidade porque não dava mesmo para se aventurar caminhando naquele frio de novembro. Ah, como foi bom e divertido o dia. Tivemos uma presença grande de apresentadores com pesquisas bem diversificadas.

Em Oxford conheci um menino simpático que é de Teresina e mora [ou morava, à época] com uma tia em Manchester desde menino. Muito bonitinho vê-lo dizer imediatamente: ‘sou de Teresina’, com uma peleja para falar português de vez em quando. A gente tava tomando chá e ele disse assim: ‘eu adoro essa chá’. Hehe tive vontade de dizer pra ele que chá em português é masculino, mas não quis, como não quero nunca, quebrar o charme dessa presença da língua 1 do falante. O nome dele é George.

Apresentei um poster nessa conferência, concentrando em uma das minhas questões de pesquisa com os resultados obtidos naquele momento. O tema foi autobiografia e o que ela revelou sobre os participantes. A conferência na University of Oxford fortaleceu em muito a associação, que desde então organizou mais duas conferências: (a) em 2011, em Londres. Não pude ir a essa porque coincidiu na data com uma conferência que fui em Belfast. (b) a de 2012, que foi em Cambridge. Mais uma vez não pude ir, porque estava ocupada demais com meu trabalhos em Southampton. Perdi essas duas e outras conferências pela mesma razão. Não consigo fazer muuuuitas coisas ao mesmo tempo. E assim tenho feito: aproveitado muito do que posso e vendo passar outras tantas oportunidades, repetindo a canção da escolha.

Na ABEP fazemos um trabalho de ajuda mútua. Considero importante fazer parte da associaçãao, porque no site da associação, na troca de emails e nos encontros / cafés que são promovidos conseguimos muitos tipos de ajuda, por exemplo: os bolsistas da Capes discutem assuntos pertinentes à situação deles, trocamos dicas de moradia, dúvidas sobre [limite de] peso na bagagem para quem tá indo, vindo, dúvidas sobre tipos de vistos, e por aí vai. Já fui socorrida várias vezes e já ajudei outras, às vezes sem ter a resposta solicitada, mas pelo menos desejando boa sorte a alguém, e isso tem sido bom. A conferência foi um sucesso. No final do dia tomamos o trem de volta para Southampton, felizes e empolgadas com a associação.