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Thursday, 17 October 2013

"Prima il dovere, poi il piacere"

Querido leitor,


Também ando com saudades de você. Não tenho conta das vezes que pensei e pensei e pensei em escrever um post sobre o muito que tem acontecido por aqui. Não consegui. Andei tão ocupada e consumida pelo trabalho e por umas doses poucas, porém especiais, de lazer, que terminei usando o pouco tempo livre para me entregar ao nada, igualmente especial.

Os últimos meses aqui têm sido difíceis. Quinta-feira passada, 10 de Outubro, foi a primeira vez, nesse ano de 2013, que fui sozinha para o centro da cidade e fiz coisas sozinha, livre, com o dia pra mim. Circulei, entrei em lojas, almocei, e até fiz uma aula num curso de pintura em aquarela, onde pintei um prato. Foi tão bom! O efeito relaxante foi maravilhoso. E assim distraí o pensamento e descansei a mente.

Cumpri uma etapa importante na conclusão da tese e só agora diminui minha jornada de quatorze horas por dia, seis dias por semana, trabalhando umas quatro ou cinco horas no domingo. Trabalhava quase 12 horas na universidade, ia pra casa, jantava, e trabalhava mais 1.40 ou duas horas de noite, quando fazia mais leituras e revisões.

Foi quase como se eu não existisse, joguei tudo no trabalho; mas procurei ter alguma medida pra dar atenção também à vida pessoal. Por duas vezes, em semanas diferentes, minhas baterias descarregaram completamente e só consegui sair da cama em torno de 9 horas da manhã. Nesses dias fiquei em casa e cuidei de coisas pessoais que andavam esquecidas, como lavar roupa, ver tv e ignorar o mundo lá fora. Cuidar da vida pessoal, arrumar meu espaço e descansar um pouco são importantes para eu retomar o trabalho mais renovada.

Sempre faço no começo do dia uma lista do que fazer. Nessa lista boto tudo, coisas bem simples e pessoais e também da tese. Ela sempre me ajuda a organizar as ações do dia e a ver que as ‘incontáveis’ coisas que tenho para fazer não são sufocantes e posso, listando e decidindo o que fazer primeiro, dar conta do serviço. Listo de azul e vou marcando de vermelho o que fiz, para ter a sensação boa de ir caminhando. A lista também me ajuda a variar as atividades, porque às vezes fico exausta e sem um pingo de vontade de mexer num capítulo que precisa de revisão, mas posso fazer outra coisa.

Nessas semanas intensas deixei de ir a Londres duas vezes com o Mike e perdi um monte de momentos sociais por aqui, priorizando o trabalho. Ainda assim fui a três festivais de música com o Mike e tive chás e jantares com algumas amigas de vez em quando. É uma ginástica doida de interesse e cansaço físico para fazer tantas coisas. Até a supermercado deixei de ir, pra não perder quase 2 horas do dia. Tô cansada, mas também gostei muito e fiquei acostumada a esse ritmo que provou ser produtivo. Nesse período adorei escrever um artigo para a Revestrés número 10 que está nas bancas em Teresina.

O que tem me ajudado muito a atravessar esses dias intensos tendo sido eu, ao chegar no escritório na universidade, meditar e rezar antes de começar a trabalhar. Aí sinto que minha cabeça fica limpa, leve e preparada para o dia. Outra coisa que faço sempre é estar na cama, durante a semana, antes de meia noite.
Aprecio uma boa noite de sonho e procuro, mesmo trabalhando muito, ter uma medida de equilíbrio, senão desanda tudo.

E nesse ritmo o tempo mudou e o outono tem trazido dias mais curtos e frios, às vezes com chuvas brandas que eu adoro, como foi ontem. A foto do post é da manhã chuvosa de ontem, em Portswood Road, uma rua onde há muitas lojas e por onde passo sempre a caminho da universidade.

Pois é, e assim aconteceu essa minha ausência prolongada do blog, não intencional. Perdoe aí, caro leitor.

A propósito, o que você tem feito? Me conte de você.

Sunday, 1 September 2013

Chef Morena: Cuca de maçã

1 September 2013 


Faz dias que penso em fazer essa cuca tão rápida e fácil. Interessante que ela me impulsionou a escrever esse post, que fazia dias dançava no meu peito sem achar forma ou tom, para quebrar o silêncio no blog. Como disse antes, o momento de completar um projeto na cozinha me faz muito bem e me ajuda com a produção acadêmica, às vezes me livrando de um entrave. O PhD tá fervendo e me pressionando e me angustiando como nunca. Os prazos me sufocam e, ao invés de sempre me motivarem a acelerar, às vezes me presenteiam com dias pouco férteis.

Graças a Deus nada pode ser tudo e tenho tido também dias felizes. Visitamos as ruínas de uma abadia e de um castelo, tudo muito antigo e cheio de história; e depois fomos jantar num restaurante mexicano em Port Solent. Colhemos morangos e framboesas nos campos e em seguida caminhamos pela praia e tomamos sorvete em tarde de frio suportável. Fiz uma torta linda e gostosa dessas frutas silvestres. Fui muitas vezes ao pub com amigos para um chá, uma limonada com coca cola ou uma cider e umas tapas e conversa sem fim, porque sem lavar o peito Chico diz que ‘ninguém segura esse rojão’. Fiz umas caminhadas renovadoras no Common Park. E, aproveitando cada sopro de domingos ensolarados, fizemos semana passada nosso sexto churrasco do verão, que acabou oficialmente ontem.

O outono chegou e promote, e cumpre, dias mais frios e mais curtos, para que a gente não esqueça que a vida passa, o tempo passa, tudo passa, as coisas mudam, as flores morrem e caem no outono e no inverno; e florescem de novo, renascendo na brisa da primavera fértil de cores vibrantes e de vida nova, e também de alergias. Isso mesmo, não se pode ter tudo.  

Essa receita é da Carol Alfaro. Segui a receita direitinho nos passos e medidas.

Chef Morena: Cuca de maçã

Ingredientes

Para a massa:
1 copo de farinha de trigo
½ copo de açúcar
½ copo de óleo
1 colher de chá de fermento químico
2 ovos
1 colher de chá de extrato de baunilha

Misture todos esses ingredientes da massa, que fica bem pesada. Espalhe a massa em uma forma pequena [usei uma forma de pão / bolo inglês, retangular], untada. Usei papel manteiga e ainda passei manteiga no papel para a cuca não grudar.

Para a cobertura:
Por cima dessa massa corte sua fruta do dia. Fiz com duas maçãs vermelhas, ralei raspas de tangerina, sobre as maçãs pelo sabor crítico e pela cor linda amarelinha e dei uma chuviscada de canela e uns fios de mel [Carol sugere maple syrup]. Por curiosidade deixei metade de uma maçã com a casca. Casquinha campeã.

Carol também sugere a opção de três bananas misturadas com açúcar mascavo, canela e limão. Me aguarde, bananinha querida.

Leve ao forno médio para assar. Delícia ainda morna com um cafezinho fresco em tarde chuvosa e em boa companhia; mas excelente também para a pessoa que está sozinha. Bem saborosa também fria. 

Friday, 16 August 2013

A eclética Clara Pittam

16 august 2013


Conheci a Clara faz algum tempo, quando ela fez um comentário no meu blog pessoal, thesotontimes. Conversamos sempre, ela me manda receitas, é incrivel a quantidade de amigos que temos em comum; mas ainda falta a gente marcar um chá qualquer tarde dessas para finalmente se conhecer pessoalmente.
Convidei a Clara para falar sobre a vivência dela aqui e no Brasil e agora compartilho com vocês essa história de vida bem interessante. Observe o alerta que ela faz sobre conhecer pessoas na internet.

Kalina: Fale um pouco de você: o que estudou, de onde vem, família. Onde você mora: em Londres? centro? 
Clara: Eu sou a Clara, (Clarinha para os íntimos) fui morar em Teresina em 2001, para fazer faculdade. Morava no Pará antes, comecei a faculdade de Publicidade e Propaganda e logo depois meus pais se mudaram para Teresina, filha única sempre fui muito ligada aos meus pais. Desde o final de 2009 moro em Londres na zona 6, que é fora do centro de Londres para ir para o centro de Londres podemos ir de Trem que demora uns 16min or 25min, dependendo do trem. 

Amor:
Sou casada com um inglês há quatro anos, nos conhecemos pela internet. No início de Janeiro 2009 Stuart me mandou um e-mail, e começamos a trocar  e-mail, depois de algum tempo começamos a conversar pela web-cam, até que eu percebi que já era uma rotina diária, via webcam, sms e telefonemas. No mês de março Stuart foi a Teresina para me conhecer. Fui pegá-lo no aeroporto junto com meu Pai e melhor amigo Vicente. Durante aqueles dias eu confirmei tudo que já tinha percebido nas nossas conversas por email, webcam, sms e telefonemas, que ele realmente é um  homem com o Pé no chão, do bem e que te passa calma e segurança.

Acho que a ideia de conhecer alguém pela internet assustou meus pais, mas eles sempre foram pais abertos e sempre conversei muito com eles sobre todos os assuntos, e de uma forma muito natural e sem PREconceitos eles abriram o coração para entender e conhecer aquele rapaz que tinha atravessado o oceano Atlântico somente para conhecer a filha deles, e hoje em dia meus pais tem o filho que sempre quiseram ter.

Meus amigos ficaram preocupados, o que achei natural, já que escutamos tantas notícias tristes sobre encontros pela internet. Lembro que nessa primeira vez minha grande amiga Thais organizou uma festinha na casa dela e levei o Stuart para conhecer meus amigos. Stuart se divertiu muito, e todo mundo gostou de cara dele; foram logo pedindo ele para vestir a camisa do Flamengo e claro encheram o Stuart de Picanha (Stuart é como um brasileiro amaaa um churrasco). 

Noivado e casamento:
Stuart voltou para me ver em Maio novamente e, com minha ajuda, conversou com meus pais e me pediu em casamento. Em Junho ele me visitou de novo e em Julho vim passar um mês na Inglaterra para conhecer a família dele. Em Agosto casamos em Teresina.
Quando
é verdadeiro e pra valer você sente algo diferente de tudo que já sentiu.       
O que eu quero dizer com tudo isso? Nesses sites de encontros da internet tem muita gente legal, mas também tem muita gente que não tem boas intenções; você e o único que pode observar isso. Siga sua intuição e se perceber que está tendo segundos pensamentos
é porque no fundo você já sabe que o que está se propondo a fazer talvez não vai dar certo.    

Lua de mel:
Tivemos três meses de lua de mel, viajando para o Rio de Janeiro, Buzios, Curitiba, Foz do Iguaçu, Santiago (Chile), Valparaiso (Chile), Deserto do Atacama (Chile), e finalizamos em Veneza (Italia). Foi ótimo, aprendemos sobre novas culturas, conhecemos pessoas muito legais e nunca vamos esquecer da nossa Lua de Mel. Stuart sempre gostou da cultura brasileira, já conhecia São Paulo, Rio e Salvador; e na lua de mel aprendeu mais da nossa cultura.

K: O que acha de Londres? UK/Reino Unido?
Clara: Eu gosto muito daqui, aqui você encontra uma mistura muito boa de culturas, Londres é uma cidade muito cosmopolita o que eu adoro, você sai nas ruas de Londres e vê pessoas falando em diferentes línguas. É uma torre de Babel, mas sem o caos.   

K: O que é bom de morar aqui?
Clara: O que me faz gostar daqui são as facilidades que você tem, saúde, transporte público, educação que funcionam, o grande acesso à cultura, arte e lazer.


K: Cite duas ou três coisas / ou viagens bem interessantes / inesquecíveis que você fez morando aqui.
Clara: Inglaterra e um País lindo especialmente na primavera e verão, viajamos mais para fora do País não fazemos muitas viagem aqui, das que fizemos gostei muito da Região dos Lagos, Beal em Northumberland (entre Inglaterra e Escócia), e Cambridge.

K: Você adquiriu novos hobbies aqui? como foi isso?
Clara: Adquiri a paixão pela fotografia, sempre que posso tento comprar lentes novas e outros acessórios para minha câmera.
Aprendi a cozinhar e fazer bolos, hoje em dia nos meus dias de folga adoro ficar na cozinha e criar coisas novas. 
Jardinagem é outro novo hobby. 

K: E as viagens? 
Clara: Viajamos umas 2 or 3  vezes no ano, sempre escolhemos lugares com praias e mais quente, tentamos fugir do frio um pouquinho.

K: Cite algumas das viagens (duas ou tres) que voce mais gostou e porque gostou do lugar / país.
Clara: Pergunta difícil hein Kalina? Rsrsr eu adoro viajar sempre fui assim desde pequena fazendo as minha malas todo vez que a palavra viajar aparecia... Das viagens que que mais gostei:
Tailândia, amei o lugar muito parecido com o Brasil, fiquei apaixonada pelas pessoas que são super educadas e respeitosas e a comida maravilhosa.
Deserto do Atacama (Chile) um lugar mágico, muito calmo e tranquilo o lugar transmite PAZ.
Egito lindo e encantador conhecer a História deles, uma cultura totalmente diferente do que já tinha visto antes, já que o pais e dividido entre mulçumanos e Cristões. 

K: Quem são seus amigos aqui? 
Clara: A grande maioria dos meus amigos aqui são ingleses, amigos que fiz nos lugares que trabalhei e amigos do meu marido que se tornaram grandes amigos meus, tenho uma amiga mineira que já mora aqui alguns anos.

K: Como tem sido sua vida profissionalmente aqui? O que você já tinha feito no Brasil e que gostaria de continuar a fazer aqui?
Clara: Eu já voluntariei em uma loja que ajuda crianças carentes, e também para a Anistia Internacional. Ano passado eu consegui um trabalho na minha área trabalhando com mídia, mas infelizmente meu contrato chegou ao fim e no momento estou procurando outro trabalho na mesma área.

K: Voces tem planos de ter uma familia grande, bem grande? tipo quatro filhos?hehehe
Clara: Pensamos sim, queremos dois, mas no momento queremos curtir e viajar mais, filhos mais para frente rsrs.

K: O que não é bom aqui? Se quiser, cite um, dois ou três momentos que você viveu aqui e que foram muito difíceis para você.
Clara: Não tem muitas coisas aqui que eu não goste, aqui é claro tem uma cultura bem diferente da nossa, e isso pra mim não se gosta ou desgosta se aceita, até porque cada um de nós somos diferentes. 
Tive que me readaptar a essa cultura e talvez isso tenha sido um pouco desafiador mais não diria difícil. 

K: Do que sente você falta?
Clara: Sinto saudades dos meus pais, da família e dos amigos, sinto falta do calor humano, do povo conversador que conversa com você mesmo não te conhecendo, não que o inglês seja assim frio é que a cultura deles e assim mais na deles.

K: No momento você tem vontade de voltar a viver no Brasil um dia?
Clara: No momento não, mais nunca direi nunca quem sabe um dia volto para o Terra Brasilis

K: Que conselhos você daria a quem quer viver aqui? em Londres ou no Reino Unido.
Clara: Absorve a cultura inglesa, ela é bem interessante, procure fazer amizades com eles (ingleses), entenda a comunidade em que você vive, e evite fazer as coisas como você fazia no Brasil, faça diferente, faça como é feito aqui, isso ajuda na adaptação, pois na minha opinião a partir do momento que você deixa seu País e vai morar em outro País você está deixando a sua cultura e indo entender e viver outra cultura e porque não se abrir para essa nova experiência/cultura?  

K: Você pode dar um exemplo desse ‘faça diferente, faça como é feito aqui’?    
Clara: Não deixe para fazer as coisas em cima da hora (Inglês e muito organizado), se planeje com antecedência, tipo quando quero convidar nossos amigos para jantar aqui em casa eu mando e-mail com 3 meses de antecedência, a agenda de todo mundo aqui é lotada porque eles planejam tudo com tempo.


K: Muito obrigada, Clara. Adorei saber mais sobre você.  

Wednesday, 14 August 2013

Londres: João Bosco e banda no Ronnie Scott’s

14 august 2013


Segunda-feira última, 12 de agosto, fomos de novo a Londres, dessa vez para o sensacional show do João Bosco e sua banda. Como segunda-feira é dia de batente, o programa não foi de dia todo.

Saí de casa 15h15 e peguei o trem da nossa estação até o aeroporto aqui da cidade. De lá peguei outro trem para Winchester, uma cidade linda que fica perto daqui, onde encontrei o Mike vindo do trabalho. Pegamos o trem para Londres – Waterloo às 16h48. Fomos direto para Covent Garden, que fica a apenas três estações de metrô de Waterloo.

Chegamos antes do previsto e assim deu tempo passar na Fopp, a loja de CDs, DVDs, e livros. Peguei dois filmes para comprar e passeei com eles pela loja; mas os devolvi às prateleiras, exercitando um controle que tenho procurado ter na aquisição de coisas, muitas, que não preciso. Lembrei que da última vez que passamos na Fopp eu comprei dois filmes: o francês ‘Je ne suis pas la pour etre aime’, ‘not here to be loved’ em inglês, que eu tinha assistido em Teresina, e o americano ‘The autobiography of Miss Jane Pittman’, que ainda não assisti. E lembrei também de outros que comprei de outras vezes que passamos na FOPP.

Fomos então para o Ronnie Scott’s, a cara de jazz mais tradicional de Londres e que existe desde 1959. Jantamos lá um burger, acompanhado de batatas fritas e salada, nada especial com preço de burger especial. Essa é às vezes a matemática do conforto. Tínhamos reservado para jantar lá por conta do tempo que achamos seria apertado entre a chegada em Londres e o show.

No Ronnie Scott’s encontramos cumade Eliane e Steve e Matheus. Conversamos um pouco sobre o show. Mike e eu sentamos numa mesa assim bem de frente ao palco, com ingressos comprados com esse propósito de proximidade. Às 19h15 começou um show da casa com um trio tocando jazz instrumental muito bom. Intervalo.

E chega a hora de João Bosco e sua banda. Que show maravilhoso. Que músicos de primeira grandeza. Que talento nos acordes. Que sintonia e que sincronia entre eles. Foi a primeira vez que eu vi uma cuíca assim olho na cuíca; só conhecia de tv e seu som encantador. João Bosco falou apenas com sua música, e mais não precisava; apenas apresentou a banda duas vezes, com simplicidade e simpatia, e teve aplausos calorosos de uma casa cheia de fãs da melhor música. Ouvi muitas vozes de brasileiros felizes e derretidos de orgulho aqui e ali e acolá pela casa de jazz.

E ouvi vozes de outras línguas também. O casal sentado pertinho de nós era de Barcelona,  conversando entre si em inglês com sotaque espanhol. O pessoal da mesa ao lado era francês.

O show terminou em torno de 23h00. Voltamos rapidão para Waterloo e pegamos o trem de 23:35 para Winchester, de onde dirigimos de volta para casa. Ah, como um show alimenta a alma e me faz experimentar uma sensação especial de leveza. Adoramos o show. Adoramos os músicos, todos eles. Mesmo as várias canções que ele cantou que eu não conhecia me agradaram bastante. Fico sempre muito feliz que pessoas de outras culturas conheçam esse lado musical tão brilhante que o Brasil tem.

Monday, 12 August 2013

Ah, o amor. . . a série de tv ‘Dates’

12 august 2013

Jenny e Nick, do episodio 2
Começamos a assistir um seriado de tv, gravado, que passou no canal 4 aqui sobre encontros amorosos, ou namoro, ou interesses outros. São nove episódios, que passaram em junho e julho. Nesse linkpara o channel 4 tem o guia com todos os episódios dessa temporada, com tudo sobre a série, incluindo os perfis de cada personagem inscritos em site de relacionamento.

O criador da série disse em entrevista que teve a idéia a partir de depoimentos dos amigos sobre esses encontros que os mesmos estavam tendo, e que ele achava interessantes. Acho que a série vai mostrar algumas das surpresas mais inacreditaveis que esses encontros podem proporcionar.

Estou encantada com o trabalho excelente da produção e com as interpretações fantásticas dos atores, com a luz, a ambientação, tudo excelente. É a qualidade do cinema na tv de presente para nós. Assistimos os três primeiros episódios ate agora; meus favoritos foram episódios 1 e 2. Vou falar um pouco sobre cada episódio.

Episódio 1: David e Mia
Atores Will Mellor & Oona Chaplin
David é um motorista de caminhão de Yorkshire tendo seu primeiro encontro de internet. Ele é viúvo, tem filhos, e parece ser honesto e simples, o desejado rapaz bom, mas usando gravata e calça jeans. Esse perfil exterior parece à primeira vista decepcionar Mia, que tinha dito chamar-se Celeste. Ele a aborda no balcão do bar no restaurante e ela nega ser Celeste. Mia liga para uma amiga e comenta que não dá para encarar o rapaz usando aquela roupa. Adoro as sutilezas na formação da personagem David. Ele é aquele homem simples e muito atraente. David tá engomadinho, preparado para o encontro, mas Mia tambem está vestida seguindo o que acredita ser apropriado para a empreitada. Mesmo depois de tê-lo dispensado, ela decide ir sentar-se com ele à mesa e ali fica, apesar de ele dizer tchau e dar uma despachada nela; mas na verdade ele tá fascinado com a beleza dela.

Episódio 2: Jenny e Nick
Atores Neil Maskell & Sheridan Smith
Jenny é uma professora primária aparentemente carente [de amor?], tímida e frágil, que foi deixada pelo noivo. Ela pega um chuvinha Londrina e chega um pouco atrasada ao encontro. Nick é direto, oferece bebida, insinua, não escuta direito o que Jenny fala nem demonstra interesse em conversa mais profunda ou pessoal. Seu celular toca de vez em quando, e ele vai atender fora do restaurante, deixando Jenny sozinha. Jenny vai ao banheiro, rouba um batom de uma moça que deixa a bolsa na pia enquanto entra no toilete; volta para a mesa e rouba a carteira de documentos e dinheiro do Nick. Ela fica um pedaço ainda meio pequena, segurando sua bolsa, aí passa o batom e se transforma, talvez nas pessoas a quem roubou, e se enche de poderes. Nick volta do telefonema, oferece vinho, ela, numa atitude liberada, rejeita e diz que vai embora, tem que pegar o trem. Nick vai pagar a conta e vê que foi roubado. Fica doido. Humilhando Nick Jenny paga a conta, poderosa, e os dois se despedem fora do restaurant, na entrada do metrô, que ela oferece para pagar pra ele. Ele agradece e diz que vai a pé para casa. Ele tenta chegar perto dela para um beijo de despedida e ela afasta só o rosto para tras, rejeitando o beijo dele. Quando passa o oyster card no leitor do metro Jenny sorri pela troca de seu pobre oyster que tinha 60p de credito para o do Nick, com quase 90 libras de crédito. Oyster card é o cartão do metro que as pessoas alimentam com dinheiro para as viagens.

Episódio 3: Mia e Stephen
Atores Oona Chaplin & Ben Chaplin
Mia volta nesse episódio. Stephen é médico. Ela o reconhece de já ter transado com ele quando era prostituta, ‘whore’ nas palavras dele, acompanhante, ‘escort girl’ nas palavras dela. Ela pergunta na cara, diretão, se ele não a esta reconhecendo,  e lembra que ele pagou a ela 300 libras por sexo. Com isso Stephen quer dar fim ao encontro. Mia insiste dizendo que é um encontro e que eles tem que ficar lá. Ele recebe um chamado do hospital, ela vai junto com ele, e lá acontecem algumas coisas. Depois eles saem do hospital e transam numa ruazinha apertada no meio da noite. Não gostei desse episódio.

Tô tentando entender algumas coisas que são apresentadas na série. Tô com a impressão de que as mulheres tem sido mostradas como muito espertas. Quanto aos homens, Nick, do segundo episódio, também não é dos melhores bacanas; e Stephen teve um comportamento nada professional no hospital. Vamos ver no que dá.

Friday, 9 August 2013

Livro: Infiel

9 august 2013


Titulo original: Infidel
Autora: Ayaan Hirsi Ali
504 páginas – Companhia das Letras
Tradução: Luiz A. de Araújo
Gênero: Biografias, diários, memórias e correspondências.

Li esse livro já faz algum tempo, indicado por uma amiga, porque me interesso por [auto]biografias e em especial a da Ayaan me pareceu fascinante, imaginando a jornada de uma muçulmana natural de Mogadishu, Somalia, que chegou a ser eleita para o Parlamento na Holanda. A autora é hoje conhecida mundialmente por sua luta pelos direitos da mulher na sociedade muçulmana e sua oposição ao fundamentalimo islâmico. Hoje encontrei minhas anotações sobre a leitura e aqui as compartilho.

O livro é sobre a vida da Ayaan. Ela conta fatos desde a infância em vários países, de pobreza, ausência do pai, obediência religiosa, maus tratos, até as mudanças que lhe proporcionaram uma vida inimaginável para uma garota de sua origem. A autora relata histórias interessantes da vida de garota levada e vítima de costumes cruéis, como o da circuncisão a que ela e a irmã são submetidas.

Achei interessante ela decidir romper com a obediência a seu sistema cultural e religioso quando está a caminho de encontrar o marido, de um casamento arranjado, no Canadá. Ao invés de cumprir o destino planejado para ela pelo pai, decide ficar na Holanda.

Na Holanda, aos poucos Ayaan desperta para a vida. Nem sempre fácil, nem sempre florida, mas uma vida de descobertas e de libertação, principalmente de si mesma. As leituras, os trabalhos e os contatos que tem a levam à política e também à amizade com o cineasta Theo Van Gogh, com quem idealiza o filme “Submission”, sobre mulheres e o Islamismo. Infelizmente o filme provoca a perseguição e o assassinato do cineasta, bem como desencadeia ameaças de morte à própria Ayaan, que a partir de então precisa de seguranças e até muda de país em busca de paz.

Ayaan fala também de sua relação com a família, uma relação difícil, de sofrimento, desentendimentos com o pai por questões religiosas / ideológicas, e de preocupação com a mãe. É muito tocante como ela fala da irmã, de sua tristeza pelo que acontece à mesma e de como se sente incompetente para ajudá-la.
A leitura é pesada, mas eu gostei muito, da narrativa e da Ayaan. Não consigo apontar pontos fracos no livro, mas gostaria de ter visto umas ilustrações em mapa mostrando a trajetória dela.

O mais impressionante é a historia de vida dela. Acho o livro interessante e fico grata e feliz pela coragem dela de relatar tudo, escrevendo com tanta clareza. Vejo esse desprendimento de botar as verdades na mesa, expor inquietudes, como um gesto de bondade e de muita coragem. Esse livro não é apenas uma autobiografia precoce de uma autora ainda muito jovem; ele é também didático acerca da situação política, social, e religiosa nos lugares por onde Ayaan passa. Hoje ela vive nos Estados Unidos.
Outro dia a ouvi, fazendo uma síntese de sua jornada numa palestra:

“If I must place my faith somewhere I choose to place it on reason. And thank God I have the freedom to choose” (Ayaan).  
“Se eu tiver que apontar onde está minha fé digo que ela está na razão. E, graças a Deus, tenho a liberdade de escolha” (Ayaan).

Recomendo a leitura desse livro para qualquer um interessado numa leitura bacana, do mundo real, atual e tão crua que às vezes parece surreal. Acho interessante para as mulheres; para as pessoas que pensam e falam sobre religião / fé; enfim, para os que têm curiosidade sobre os temas: islamismo, mulher, África, Europa, vida, política, e [auto]biografia.

Wednesday, 7 August 2013

six plus thirty

7 august 2013


. . . and eating at Sara's Thai cuisine and having another sip at Trago Lounge on Friday 2 Aug and visiting the beautiful little town of Alresford and the Jane Austen's house museum in Chawton and having a special lamb roast with roast potatoes cooked by them on Saturday 3 Aug and going grocery shopping then picking strawberries and raspberries on a farm near Christchurch and afterwards going for a walk and an ice cream at Avon beach, Mudeford, and coming back home to their fourth barbecue of the summer and wrapping up the night listening to Diana Krall's amazing jazz they celebrated six plus 30 months or three years together . . .


. . . e jantando no restaurante tailandês Sara's e tomando mais um drinque no Trago Lounge na sexta-feira 2 de agosto e indo visitar a linda cidade de Alresford e a casa museum da Jane Austen em Chawton e jantando um assado de carneiro especial com batatas douradas feitos por eles no sábado 3 de agosto e indo ao supermercado e depois colhendo morangos e framboesas nos campos perto de Christchurch e em seguida fazendo uma caminhada na praia e tomando sorvete em Avon Beach, Mudeford, e voltando para casa para preparar o quarto churrasco do verão e mais tarde fechar a noite curtindo o sensational jazz da Diana Krall eles comemoraram seis mais trinta meses ou três anos juntos . . .